
Quando se diz que o País está empobrecido, a crise económica aguça o desemprego, a fome espreita aqui e ali, o mal estar social generaliza-se, emerge com cada vez maior relevância uma classe: a dos “Novos Ricos”.
Para que não haja dúvidas não tenho nada contra os ricos (tomara que todos, mas todos sem excepção, fossemos ricos), mas os “Novos Ricos”, são, assim como que especiais…
Há maneiras várias de as pessoas enriquecerem, à laia de exemplo:
Ø Herança. Herdar um imenso património ou contas chorudas em bancos nacionais e estrangeiros, normalmente deixados pelos pais, mas também pelas tias solteironas, padrinhos sem família ou amigos desamparados;
Ø Sorte ao jogo (licito ou ilícito) ou da aposta certeira nas acções daquelas empresas no tempo e hora certa, no outro jogo, o jogo da Bolsa;
Ø Negócios emergentes ou não emergentes, que poderão passar ela especulação imobiliária, construção civil, importação e vendas produtos made in China (Índia, Paquistão, Tawain , etc.);
Ø Mais contrabando, narcotráfico, contrafacção, tráfico e exploração sexual de mulheres e crianças, armas, diamantes, jogadores de futebol.
Propositadamente escamoteei uma outra forma de alcançar a riqueza, a que se traduz através do trabalho, sério, honesto. É um valor cada vez mais desprezado por esta sociedade globalmente global. Se trabalhando seriamente alguém enriquece, uma excepção e um case study se torna, pois trata-se de um forma frustrada de alcançar a riqueza.
O “Novo Rico” que falo, destaca-se dos comum dos cidadãos, não se misturando com o Alberto da mercearia, ou com o Zé do talho, ou o Manel que trabalha na arte de pedreiro, ou… comigo! Não! Destaca-se. Pertence a várias Associações e Clubes, talvez a um Partido Liberal, caça em reservas espanholas e amiúde desloca-se ao Quénia para caça mais grossa; claro, joga Golfe e tem uns quantos carros antigos; uma mulher oficial e umas quantas amantes, adoram lagosta e caviar (digo, eu…).
“Novo Rico”, adopta um sotaque snob, mastigando lentamente as letras das palavras de modo diferenciado de todas as outras pessoas; num cumprimento, estendem a mão não exercendo qualquer pressão na mão do cumprimentado.
Normalmente como cartão de visita apresentam um carro à sua imagem e semelhança, com performances iguais à carteira (ou pseudo-carteira). O que importa é o dever de poder parecer que se está bem na vida, acima de tudo e de todos.
Ás vezes a crise também lhes bate à porta, e a prestação do carro aperta o coraçãozinho do “artista”, pede-se dinheiro emprestado aos familiares mais próximos, este mês não se come em restaurantes de luxo (nem fast food), mas estejam descansados caros leitores, estes “Novos Ricos” nunca assumem estas crises, nunca dizem a verdade. Isso seria o descrédito total. Há que fazer um esforço para se manterem na crista da onda, presença nas festas sociais, montra de fatos e vestidos de encantar, férias na neve, Ibisa e Allgarve (já a versão moderna, que aqui não se brinca).
São os “Novos Ricos” da minha amada Pátria em “que parecer é bem mais que ser”.
Post inspirado no texto: "De bimbus riquissimus modus", in "A história maravilhosa do País bimbo" de Pedro Barroso.