segunda-feira, setembro 17, 2018

De mim, (s)em dó


        Seria um fim de semana diferente, em tudo diferente. Saí de casa com um misto de preocupação e ansiedade, o pé no acelerador tocava de ligeiro, o carro embalava calmo pelo IP3, mas lá foi indo. Já na estrada das Levadas, cada curva presenteava-me com uma história da minha já longa vida. A imagem da minha saudosa Mãe presente, o carro lá avançava, devagar, sem percalços, levando-me ao encontro do passado, construindo a partir deste instante um novo futuro.
        Finalmente, chegámos. Pousar as malas e dar um abraço a meu Pai. Eu ,de olhos cheios de um oceano verde de esperança, senti a força dos seus débeis músculos, antes fortaleza da casa.
        Desde os meus 8 anos que tal não acontecia, ir a casa de meus pais e não ter um café para servir, uma taça tinto ou branco consoante a vontade do cliente, um bacalhau à casa, ouvir uma boa discussão sobre politica, retirar da casa de banho das senhoras umas cuecas imundas e uma dentadura, dois ou mais homens ao soco, almoçar ou jantar aos “soluços” conforme a chegada dos clientes, não ir ao futebol porque não se podia deixar o balcão, aprender sobre a vida dura e crua, tomar consciência politica, transformar-me também no que ainda hoje sou.
        O ritual continuou, continuou até ao dia 06 de Agosto deste ano. Apoderou-se-me um misto de raiva e alegria e uma tristeza imensa porque uma coisa é uma coisa e as coisas são como elas são.
Texto este que terá continuação…

terça-feira, julho 26, 2016

Ontem





Foi ontem….
Não foram 3650 dias

Relembro o tempo triste
Naquele dia em que partiste
Levando o teu sorriso no olhar
O silêncio de não mais te falar
Ouço música ao longe
Linda, simultaneamente triste
E distante como a saudade que sinto
Que transforma em paz a raiva adormecida
Sinto-te em meu redor
Presença misteriosa que me faz sorrir
Como o esplendor de um anjo
Que circula como uma brisa aconchegante
Um dia serei poeira ou um corpo pesado para levantar
Nesse dia encontrarei de novo o teu olhar

Mas… e esta música e brisa que agora sinto?!
Um sonho talvez
Uma ilusão quiçá
Ou a doce realidade da Tua Presença

domingo, julho 26, 2015

Perfume



Ouço música, distante, celestial
Chega-me de uma estrela sorridente
Pressinto uma presença misteriosa da vida
Faz-se luz na escuridão dos dias
Se uma parte em mim é silêncio
A outra é grito, de angústia, de saudade
Afinal não partiram os habitantes da minha estrela
Sinto a vossa presença no raiar do sol
No navegar do quotidiano
No perdão que se impõe
Aquele olhar que fulgia felicidade
Preso num canteiro iluminado pela lua
Hoje…
Hoje paira no ar um doce aroma de margaridas
Perfume singelo que coloniza o Éden