sábado, fevereiro 24, 2007

Uma Estrela que Brilha e Sorri

Quando observo o céu, há uma estrela que brilha mais que todas as outras. Ás vezes parece sorrir-me, num movimento lento e gracioso como que a querer abraçar-me. Pisco-lhe o olho, partilho com ela o meu estado de alma. Nos momentos mais incertos da vida como que lhe sussurro cá de baixo, ela responde com mais brilho e fico muito mais calmo e tranquilo.
Sei que nessa estrela moram: o meu irmão Luís Miguel, os meus queridos Avós, os meus amigos Luís Falcão, Licínio Buco e João Carlos e a minha colega Margarida, que num tempo partiram para longe, para muito longe e agora vivem naquela estrela. Na mesma morada vive um músico, um grande músico, mas fundamentalmente um homem de excepção, um cidadão vertical que tanto encanto e segurança dá aquela estrela, chama-se: JOSÉ AFONSO – ZECA AFONSO.

Hoje escrevo para ti e ao escrever para ti, redijo para quem contigo mora na estrela que me ouve e sorri. Tive a felicidade de te ouvir e ver em algumas ocasiões, de te tocar (num singelo cumprimento no ex-teatro Avenida em Coimbra – todo eu tremia, bem me lembro), és uma grande referência de vida, um exemplo que procuro lembrar em cada dia que passa, um rebelde solidário como alguém já te chamou.
Sabes, hoje que perfazem 20 anos sobre a tua partida, todos falam de ti, os que sempre falam e os outros, mas é bom que falem de ti, da tua vida, da tua luta, da tua constante preocupação com os outros, do dinheiro que não tinhas, da doença que te obrigou a partir. Dizia o Álvaro de Campos num seu poema, que depois da morte só se lembram de nós no dia em que faríamos anos de vida e nos dias em que fazemos anos que morremos, pois que assim seja; eu por mim, continuarei a falar Contigo e com os teus Companheiros de estrela sempre que a alma mo peça, dia após… dia.

Por aqui, neste “Mar Largo”, mora a “Incerteza” e a “Menina de Olhos Tristes” “Aquela Moça de Aldeia”, já foge, foge “No Comboio Descendente” dos novos “Vampiros” da democracia que ajudaste a fundar. O nosso País está a ficar cinzento, a miséria não espreita – já entrou, faz-nos falta a tua “Utopia”, eles não sabem, mas nós sabemos que a utopia faz parte da vida e quando chegar um “Maio Maduro Maio”, abriremos a voz como um “Cantar Alentejano” e em “Grândola, Vila Morena” e em toda a parte “O Que Faz Falta” é o “Pão que Sobra à Riqueza” ser equitativamente distribuído.
“Com as Minhas Tamanquinhas” procurarei ali, acolá e em “Terras de Trás-os-Montes” “Como se faz um Canalha” porque a fome já chega aos “Índios da Meia-Praia”, hoje são outros os “Fantoches de Kissinger”, mas eles andam por aí, disfarçados, com nomes vários espalhando terror por terras de Iraque, Palestina e controlando a economia mundial. Precisamos de “O Homem da Gaita” para que toque a “Chula da Póvoa” e que “Venham Mais Cinco” para cantar o “Hino à Liberdade”.
O Mondego recorda-te numa sossegada Balada, eu sinto uma “Dor na Planíce” das minhas emoções sempre que tentam dar uma “Canção de Embalar” no “Natal dos Simples”. “O País vai de Carrinho” e no meio da “Canção do Medo” não sabia se havia de me revoltar ou esperar pela “Canção da Paciência” entre “Verdade e Mentira”.
És o ”Menino D’oiro”, o “Senhor Poeta”, foste “Solitário” mas sempre Solidário.
Sei que tens “Saudades de Coimbra” essa do “Choupal até à Lapa”, também temos saudades da tua presença, mas tu estás entre nós e vives naquela Estrela que brilha tanto para mim!

AMO-VOS HABITANTES DA ESTRELA QUE BRILHA E SORRI!!!

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Dr. Cunha


Estava muito descansadinho a ver o Telejornal, quando uma notícia me fez soar uma qualquer campainha, tipo: onde é que já ouvi isto?! Dizia a dita noticia que Portugal está em 1º lugar no que toca a cunhas, daí a este espaço de escrita foi um salto e de facto, após uma breve pesquisa, constatei que a “instituição cunha” é tão velha quanto a nação ou ainda anterior á criação desta. Investiguei e descobri que D. Henrique de Borgonha (pai de Afonso Henriques) que enquanto cruzado ajudou o Rei Afonso VI de Castela e Leão na reconquista aos mouros o Reino de Galiza (que incluía o agora norte de Portugal) e foi presenteado por esse facto, com a mão de D. Teresa de Leão e o Condado Portucalense (hoje, um país da União Europeia, com vista para o mar, chamado Portugal). Dos meus estudos depreendo, que D. Henrique de Borgonha para que seu sogro lhe concedesse o Condado Portucalense, pediu a Garcia de Aragão, bispo de Pamplona, primo e amigo pessoal de Afonso VI , tendo inclusivamente ambos estudado na Tele-escola no ano lectivo 1055/1056???, que interferisse a seu favor.

Hoje, mil anos após, em que o Mundo e o ex-Condado deram largos passos no desenvolvimento dos povos, hoje, dizia eu, quando se levantam vozes em nome da democracia, da competência, da excelência, do desempenho, da imparcialidade… a dita “instituição”, detém um peso desmedido que não deveria fazer sentido nos dias que vão correndo, alguns mais académicos gostam de tratar a dita por “Dr. Cunha”,

À laia de exemplo, excluindo o já citado caso de D. Henrique, não é de estranhar que para arranjar trabalho só o currículo, mais os testes psicotécnicos, mais o perfil do candidato, mais o que for necessário concluir para o preenchimento do lugar, não cheguem?! Pois não! É preciso a “Cunha”!
Mesmo quando se está a trabalhar, assim, com um contrato de trabalho a termo certo… Não é, que é necessário uma “Cunha”?! Não! Não! Não é isso que estão a pensar, a pessoa é competente, executa de forma irrepreensível as suas tarefas, pontual, nunca faltou em 24 meses (excepto uma única vez para ir ao funeral da mãe) mas, não querem saber que o patrão, tem um sobrinho que não quer estudar mais e pronto… dava-lhe jeito colocá-lo no lugar da pessoa que tem o contrato a acabar. Dizem-me assim: - Ah! A lei não permite. Pois não! Mas também é proibido andar a mais de 120 Km/H na auto-estrada e todo o meu “people” anda!!!

Então e a Josefina, que casou com o meu primo (ainda que afastado – vive no Algarve) Zé Custódio, que lhe deu uma dor nas costas coitadinha e ficou em casa sem se mexer. Depois de muito tempo e vários exames, o médico foi peremptório: - só operando! Mesmo com carácter de urgência só daqui a 8 ou 9 meses é que terá vaga; ou então, na clínica onde trabalho, aí pode ser para a semana, vai é sair caro!
Um drama! A Josefina ainda falou com o meu primo Zé.
- Ó Zé, e se vendêssemos a vaca e os porcos?! Já viste o que é a minha vida aqui deitada durante 8 ou 9 meses?!
O Zé com pena da mulher ainda fez umas contas, mas mesmo vendendo os animais, além de ficarem sem sustento não daria para 1/4 do custo da operação. Repentinamente lembrou-se da Srª. Dª. Alexandrina, a senhora da casa rica lá da aldeia, ela tinha um filho médico em Coimbra. Lá falou com a Srª. Dª. Alexandrina e mês e meio depois, já estava a ser operada. O Zé matou a vaca e encheu a arca da Srª. D. Alexandrina.

Para já não falar da Amélia, católica devota desde que se conhece e ao querer baptizar o filho, vê o Sr. Padre da paróquia negar-lhe o que pretende, pois a madrinha não tinha a Comunhão Solene nem… , Também se resolveu: uma “Cunha” no Sr. Padre duas paróquias mais abaixo e zás: uma criança baptizada.

O Sociedade Imobiliária “Novas e do Melhor, Lda.”, com dificuldade na obtenção do licenciamento para a concretização da Urbanização Monte da Palha, resolveu também a questão com o “Dr.Cunha” , na pessoa do Engº. Xavier da Câmara Municipal.

Era só querer e não mais parava. Todos nós somos responsáveis pela aludida Instituição estar viva e de boa saúde, o facilitismo, o comodismo, o bom deixa andar tão português, aquece e dá alma ao Dr. Cunha.

sábado, janeiro 13, 2007

Os Dias

Hoje, decidi por um outro estilo de escrita.
Uma outra forma de falar sobre os dias que passam. Perdoem-me, pois poeta não sou!



Onde está a verdade

dos dias que passam?

Será no primeiro

ou no último dia

Deste Novo Ano que inventamos?!


Podemos reinventar a Felicidade

Reencontrar a Esperança

Procurar a Bonança

No labirinto da Cidade

Mas os dias...

Os dias, continuarão

Em ciclos sucessivos de 24 horas

Os dias são gente

Gente que chega

Gente que parte

Os dias Somos Nós

terça-feira, janeiro 02, 2007

2006 partiu... apresentou-se: 2007

Tudo começou há pouco mais de doze meses. Nós, as pessoas, aliás, sempre as mesmas pessoas, estávamos reunidas no salão grande da Casa do Paço, como sempre fazemos em 31 de Dezembro para festejar não sei muito bem o quê, mas bebemos espumante, comemos passas de uvas, dançamos e dançamos, também cantamos, gritamos urras, há sempre um leitão de laranja na boca a ouvir a prosa e mesmo um peru que apesar do seu estatuto de morto ainda se julga um qualquer D. Juan a olhar pela importância que o bicho exibe. O salão convenientemente decorado, onde nem os balões coloridos faltava, cornetas douradas suspensas no tecto de madeira pintado com motivos de caça da realeza nos finais do sec. XIX e música afro-brasileira de fazer abanar o rabo dos homens e as ancas das senhoras, tudo a condizer, como se atesta.

De repente, alguém entra. Muito bem vestido, fato de marca, cinzento, impecavelmente aprumado, gravata de seda italiana, sapato de verniz, um sorriso de deslumbrar, charuto ao canto da boca e taça de champanhe na mão direita. Assim, entrou no salão seriam não sei muito bem se 24 horas do dia 31 de Dezembro de 2005 ou 0 horas do dia 01 de Janeiro de 2006. Quando chegou fez-se anunciar: chamo-me Dois Mil e Seis e venho para governar pelo menos, pelo menos, 12 meses. Fez-se silêncio no salão, todos se interrogavam pela partida repentina (ou já anunciada?) de Dois Mil e Cinco. Alguém na grande sala relembrou uma história já antiga de alguém que também assim partiu e na altura falou de um País num pântano, ou qualquer coisa do género, que o meu entendimento não atingiu.
Dois Mil e Seis continuava sorridente e discursando lá ia dizendo: - Nestes doze meses grande parte do mundo irá estar aos meus pés, sob a minha tutela, de forma sustentada deveremos atingir os seguintes objectivos:

Janeiro: José Mourinho deverá ser eleito o melhor treinador do mundo, tanto pela UEFA como pel Federação Internacional de História estatística do Futebol;

Cavaco Silva será eleito Presidente da República Portuguesa à primeira volta, derrotando Manuel Alegre e Mário Soares;

O Hamas, vencerá as eleições palestinianas, com maioria absoluta;

Bill Gates, presidente da Microsoft será condecorado por Jorge Sampaio

Fevereiro: Um português ganhará mais de 60 milhões de euros no Euromilhões;

O grupo empresarial Sonae lança uma OPA sobre a PT;

Jorge Sampaio visitará Timor-Leste;

Março: Em colaboração com as autoridades espanholas, a PJ deverá apreender três tonel de cocaína em Benavente;

Portugal e Espanha, anunciarão a criação de um prémio luso-espanhol de arte e cultura, a atribuir de dois em dois anos.

Abril: Um cabresto desgarrado ferirá cinco pessoas em Albufeira;

O judoca João Neto, conquistará a medalha de ouro na sua categoria na Taça do Mundo que se irá disputar em Lisboa;

Será inaugurado o Casino de Lisboa,

O FC Porto será o novo campeão de futebol, a duas jornadas do fim;

Marco de Canavezes, festejará o 25 de Abril pela primeira vez em 23 anos;

Maio: Sampaio será nomeado enviado da ONU, na luta contra a tuberculose;

O Irão irá conseguir obter urânio enriquecido;

Junho: Nascerá a primeira bebé portuguesa na cidade espanhola de Badajoz, na sequência do encerramento de diversas maternidades portuguesas, entre as quais a de Elvas;

A Portuguesa Vanessa Fernandes do Benfica, conquistará o terceiro título de triatlo consecutivo;

O exército Israelita, invadirá a faixa de Gaza;

Freitas do Amaral, demitir-se-á do cargo de Ministro dos Negócio Estrangeiros;

Portugal passará aos quartos de final no campeonato do mundo de futebol;

Julho: A Itália deverá sagrar-se pela 4ª vez campeã do mundo de futebol;

Portugal ficará em 4º lugar na mesma competição;

A General Motors anunciará o fecho da fábrica Opel em Azambuja;

O exército israelita bombardeará o Líbano;

Fidel Castro delegará por motivos de saúde o poder que detém em seu irmão Raul.

Agosto: Não haverá objectivos ( só os fogos na Península Ibérica), estou de férias.

Setembro: O Papa Bento XVI, fará observações polémicas, ligando o Islão á violência;

Luís Noronha do Nascimento será o novo Procurador-geral da República

Outubro: A Coreia do Norte, efectuará um ensaio nuclear;

No porto o Teatro Rivoli será ocupado;

Os réus do processo da queda da ponte de Entre-os-Rios, serão absolvidos;

Lula, será reeleito Presidente do Brasil,

Novembro: Saddam Hussein irá ser condenado à morte por enforcamento;

Portugueses contratados por uma agência de trabalho temporário na Holanda, passarão fome;

José Veiga, deverá demitir-se de director do Benfica;

Morrerá em Londres um ex-agente da KGB por envenenamento.

Dezembro: Hugo Chávez será reeleito Presidente da Venezuela;

Fotos indicarão que haverá água em Marte;

Carolina Salgado, editará um livro onde contará histórias comprometedoras para Pinto da Costa e o FCP;

Saddam Hussein será enforcado

Depois, depois… logo se verá.

Hoje, dia 02 de Janeiro de 2007, já estou em condições de afirmar que o Sr. Dois Mil e Seis, partiu em silêncio, sem nada dizer.
Com grande estrondo e fanfarra chegou um outro senhor de nome: DOIS MIL E SETE , ainda não anunciou os objectivos a atingir, possivelmente não estarão definidos por esta altura.
Mas já se sabe que ficará por cá durante doze meses, vamos saber aproveitar a sua sabedoria e esperar que este novo Senhor tenha saúde, amor e trabalho para todos. Que o Mundo se torne mais justo e que a Paz impere para todo o sempre.

Um Bem Hajam a todos.

domingo, dezembro 10, 2006

Um Texto... a fazer lembrar que vem aí o Natal !!

Durante algumas semanas a minha saúde e outras arreliações, não me permitiram sair de casa ou deixar as redondezas. Agora que baixei à cidade (Coimbra), parece que recolhi à realidade da vida de todos os dias.
Num centro comercial, luzinhas que apagam e acendem (tal e qual como a vida) não permitem que o Natal se desvaneça na nossa memória. E não será pelas melhores razões, apenas pelo simples apelo ao consumo ás vezes irracional. A fazer lembrar que vem aí o Natal…

As montras decoradas com os motivos da época, sinos dourados ou encarnados, alces amarelo/ouro, mais fitas douradas e prateadas e bolas da mesma cor e luzinhas frenéticas num apagar e acender constante, a fazer lembrar que vem aí o Natal…

Depois, depois é aquela música de embalar a carteira, bonita, melodiosa, harmónica, quase sempre as mesmas ano após ano, a fazer lembrar que vem aí o Natal…

Encontrei um Pai Natal bem português por acaso, embora tanto a barba postiça como o fato na etiqueta dizia: “made in China”. Enfim, sinais do tempo, deste tempo em que nós os cidadãos do Mundo (principalmente deste Mundo dito evoluído e civilizado) calamos a exploração de crianças de tenra idade que a troco de muitas horas de trabalho e uma malga de arroz, fabricam fatos e barbas postiças de Pai Natal, bolas de futebol, jogos electrónicos e outros artefactos que outras crianças de outros países irão usufruir a fazer lembrar que vem aí o Natal…

As campanhas dos hipermercados, os apelos das televisões, o número crescente de pedintes na rua, o coração de cada um mais atento, a fazer lembrar que vem aí o Natal…

As festas que se promovem, os encontros que acontecem, os colegas de trabalho que nesta altura do ano e só nesta altura do ano passam a ser uma família, a fazer lembrar que vem aí o Natal…

Os presentes que se dão porque sim, mais os que se dão porque não, a fazer lembrar que vem aí o Natal…

Tenho um sonho! O sonho de a Humanidade poder dizer em qualquer dia do ano: Hoje é Natal! Todo e qualquer dia em que se festeje a paz no Mundo. Que a palavra solidariedade se materialize em cada momento que passa, que haja verdadeiras oportunidades iguais para todos, que a Paz seja realidade doravante, que…
Alguns dirão: ingenuidade! Sonho de criança! Pois que seja! Na verdade gosto de brincar com carrinhos, de jogar ao pião, andar de gatas e dar saltos, soltar um grito de quando em vez, chorar e rir como qualquer criança. Só já perdi a inocência de ser criança, não sou puro, inconveniente ás vezes, incompreensível de quando em quando, carrego um certo egoísmo dos tempos que passam, já dei por mim a desviar o olhar da desgraça do outro, mas pelo menos tenho consciência das minhas faltas e a custo tento ser uma pessoa melhor.

Esquecer que o Natal é celebrar o nascimento de Jesus Cristo é esquecer que Jesus deve ser o exemplo vivo em cada dia do ano; é esquecer que Ele perdoou Maria Madalena e livrou-a do pecado; é esquecer que recuperou a visão aos física e espiritualmente cegos; é esquecer que foi solidário com os pobres e trouxe independência aos que estavam feridos; é esquecer que nasceu para nos salvar.

quinta-feira, setembro 28, 2006

Arreganha a Taxa, Paga o Imposto!

A idade já não perdoa e apesar de ser ainda um jovem quarentão, ás vezes dói-me todo o corpo e as pernas também. De algum tempo para cá, o meu sistema hepático tem dado sinais de fraqueza – eu que só bebo tinto de uvas; cerveja de cevada e malte; champanhe francês; carne de porco com gordura natural; torresmos bem temperados; - será uma questão genética com certeza (agora me lembro ter comigo uma barriga de freira já meio marada – poderá ser isso).

Um dia da passada semana, lá fui a mais uma consulta de Hepatologia, ali no Hospital dos Covões. Ás 09 horas lá estava na fila das “marcações do dia”, caderneta de doente na mão, o cartão de saúde na outra mão, a carteira no bolso do blusão e uma pequena ansiedade ali algures para os lados do coração. Depois de 09 minutos e 23 segundos, mais alguns encontrões lá cheguei ao guichet, uma funcionária de olhos brilhantes, sorriso largo e voz dócil, pediu-me o cartão de doente, depois o cartão de saúde, confirmou-me a consulta para aquele dia e após esse procedimento “pediu-me” a carteira, quero dizer: o dinheiro da taxa moderadora – até aqui tudo normal!

Sentei-me na sala de espera eram 09, 15 horas, esperei, esperei, esperei, eu e o Pedro Barroso que me fez companhia e falou-me d’ “A história maravilhosa de um País bimbo”; pus-me a meditar (gosto de meditar nas salas de espera dos hospitais, também o faço na casa de banho durante o duche, sempre me ocorrem ideias frescas) e concluí que esperava e esperava, porque estava numa sala de espera. Pois claro! Sala de espera: espera! Está certo!...
Por volta das 11:15 horas, lá me chamaram (de novo a voz dócil) para outra sala, aliás corredor. O corredor de acesso aos consultórios. Exactamente ás 11:50 horas, sai um doente de um gabinete deixando a porta aberta e ouço uma voz rouca (já não dócil), chamando: MANUEL NEVES!!! Ufa!... Chegou minha vez de ser consultado, não era o meu médico habitual, mas tal como o meu médico habitual este também era limpinho, usava bata branca e tudo, estetoscópio ao pescoço, assim como que um ar a importância, gravata azul-bebé com elefantes cor-de-rosa, mas também descobri que o sapato do pé esquerdo estava ligeiramente sujo, contrastando com o do pé direito que brilhava como um espelho reflectindo o sol. A minha timidez tomou uma pequena dose de coragem e perguntei: - O Dr. Aristides hoje não está? Ao que respondeu: - Não se preocupe. Reparei como me olhou e só posso concluir que está ansioso. Não será caso para tanto, deve ter percebido que também sou médico e toda a sua história clínica está no sistema.
Quando falou em sistema, reparei que sobre a secretária estava uma caixa preta com um monitor em cima, daqueles fininhos, que pensava que só servia para ver os jogos de futebol, pelos menos lá na minha aldeia o Xico Zé da taberna, o filho do ti Malaquias, aquando do campeonato do Mundo comprou um. Mas é maior. O vinho deve dar dinheiro, pois o Xico Zé tem um televisor ou lá o que é, maior que o do médico. E o médico andou a estudar medicina na Universidade durante muitos anos, olha… valia mais ter ficado a aviar copos, pelos menos agora tinha um aparelho de ver a bola e a história clínica (programa do Dr. José Hermano Saraiva) maior.
Muito bem, o Sr. Dr. olhou, olhou para o sistema, levou o dedo ao ecran e repentinamente o retirou dizendo: - bolas! Apanhei um choque. Pensei de imediato que deve ter sido um choque tecnológico, pois um dia ouvi o Sr. Primeiro-ministro referir que estes choques também se apanham em monitores sobre estas caixas pretas, as caixas do sistema, portanto! Depois de pesquisar na tal história clínica, escreveu em dois papelinhos e disse: - faz estes exames e volta daqui a dois meses.
Saí muito mais tranquilo. Primeiro, fiquei sem saber se estava melhor ou pior. O que é bom, porque quererá dizer que estarei na mesma – ou seja: vivo! Segundo, o que aconteceria se me dissesse: - lá para o início do ano tem que ser internado para fazermos uma pequena intervenção cirúrgica. Bom, seria terrível. Não pela intervenção, pois quem me conhece sabe que não desmaio assim tão facilmente, mas, e as novas TAXAS de internamento e cirurgia. Sim, eu sei que são simbólicas; mas simbólicas é quanto?! Lá teria que propor ao Sr. Dr. para me internar de manhã, operar de manhã e mandar-me para casa depois de almoço. Já que teria de pagar a taxa daquele dia, pelo menos ia almoçado. Mas o doutor podia retrucar dizendo que corria risco de vida, que teria de ficar internado alguns dias até estabilizar. Perante este cenário teria eu que fazer algumas contas simples, a ver: número de dias internado x taxa de internamento + taxa de intervenção cirúrgica, por um lado; pelo outro, calcular o preço do meu funeral – subsidio de funeral - indemnização do seguro de vida que em tempos celebrei. Depois é simples, comparar um custo e outro e decidir: as TAXAS ou …

Fiquem bem.


PostScriptum: Não pensem muito. Viver é mesmo bom. Vão-se os anéis, ficam os dedos (provérbio popular), mas é pena.

segunda-feira, agosto 28, 2006

Ideia Genial


Ao fim de algum tempo de indisposição para a escrita, o que desde já peço desculpa, aí vai mais um caso da vida real:


Nas curtas (mas boas) férias que usufruí, conheci uma ave surpreendente. Isso mesmo, uma ave! Lá bem no norte de Portugal, na praia de Moledo, conhecida por ser frequentada por algum jet-set nacional, nomeadamente políticos, conheci um papagaio de nome Loiro – aliás, como quase todos os papagaios.
Este bicho de cor esverdeada, importado do Brasil ainda no tempo de Marcelo Caetano, tem um grande vocabulário e durante a sua já longa vida conheceu gente de enorme importância; desde políticos do antigamente até aos actuais e outra gente de nomeada: ministros, opositores, líderes, usurpadores, bispos, pessoas boas, pessoas más, outros animais e até se dava com um cão de um tal João de Barros, Bioquímico de profissão que abria e fechava uma cerca de onde escapulia sem o dono dar conta.
Disse-me uma ocasião o Loiro, que tem pena de não conhecer Portugal, as suas gentes no seu habitat natural (não armada aos píncaros nas férias) e os seus costumes, pois desde que saiu da Amazónia que estava preso naquela gaiola.
Lá lhe fui dizendo, que somos um povo pacífico (apesar das touradas e dos pássaros nas gaiolas), já tivemos ouro e somos pobres, já nadámos em moeda europeia e somos muito pobres. Por norma somos tristes, mas quando joga a selecção nacional de futebol (só a de futebol), somos alegres. Agora andamos todos a aprender Inglês, que é uma língua estrangeira com muitas cantigas e os ET’s a existirem, também falam esta língua (e existem, que eu há 23 anos atrás vim um filme com um ET e este falava inglês); não sabemos falar português, mas não faz mal! O que está a dar é speakar Inglês. Na nossa terra, aqui, em Portugal não tratamos bem os Professores. Para quê?! O que conta é o sucesso dos meninos, fazemos de conta que os meninos sabem muito bem as matérias e pronto… felizes para sempre. Se há algum professor que tenta desafiar o Ministério, pois bem, pois bem… problemas lhe baterão à porta.
Também somos um País quente, muito sol e incêndios nas nossas florestas, que ano a ano se repete destruindo o verde da esperança de um País adiado.

Foi ao escutar uma conversa entre o Loiro e o Flash (o cão que referi do tal Bioquímico), que tive conhecimento de um acidente ferroviário, no início de funções do actual Governo e que ficou no “segredo dos Deuses” – quer dizer: no segredo dos políticos.
Bem sei que não se deve escutar conversas, mas sejamos razoáveis, não é todos os dias que se tem oportunidade de escutar uma cavaqueira entre um papagaio e um cão, embora e em abono da verdade só o papagaio é que palrava, o Flash estava de ouvinte, lançando um gemido e abanando a cauda de quando em quando.
Voltando ao acidente, o que o Loiro dizia ao Flash é que tinha ouvido um diálogo entre um Secretário de Estado e um Ministro, lá, na Praia de Moledo, em que comentavam a tal ocorrência ferroviária.
Então, ao que consegui apurar da escuta da conversação, tudo indica que um comboio de mercadorias com origem na China e tendo como destino o Porto, transportando computadores, chip’s electrónicos, e outra tecnologia de ponta percorreu o País de piloto automático activado e por qualquer anomalia, que o pobre bicho não conseguiu explicar foi colidir com um outro comboio de mercadorias que seguia em sentido contrário com destino a Lisboa, sendo a sua proveniência do norte da Europa, suponho que da Finlândia, carregadinho de telemóveis (da última geração, claro!), pad’s, outra tecnologia na moda, programas curriculares para os diversos graus de ensino, simplex’s e mais modernices que podem imaginar.

Do acidente não houve qualquer dano humano a registar, mas tudo indica que este choque entre comboios deu uma ideia genial ao nosso Primeiro-ministro, a salvação do País, chamou-lhe: CHOQUE TECNOLÓGICO!!!

quinta-feira, julho 27, 2006

A Simplicidade dos Simples

Olho pela janela
O tempo triste
Chora a tua partida

O Sol
Envergonhado pela fúria dos Deuses
Esconde-se na atmosfera
Carregada de lágrimas

O Rio
Serpenteia a desgraça
De não mais te falar

Mas,
Ao contemplar aquela cadeira
Lembro o teu Olhar
O Sorriso fraterno
A Simplicidade dos Simples


Até sempre... viverás enquanto vivermos.