sexta-feira, fevereiro 19, 2010
Está tudo de Pantanas!
Está tudo de pantanas! Ouvimos o Sr. Primeiro-ministro, justificar-se na TV, em horário nobre, pois claro! Fez-me recuar no tempo, até aos anos em que frequentei a escola primária, tipo menino queixinhas: ai, eu não fui, eu não fui, foi o menino Joãozinho. Ok. Entendo, eu não fui, mas para quê atirar as responsabilidades para os outros (comunicação social, oposição e companhia)?!
Desconfio que o país deve estar para reciclar (ou, na pior das hipóteses incinerar), pelo menos é um tal rei da sucata o protagonista (e sua corte, obviamente), dá cartas, distribui jogo, bate os trunfos e todos vamos vivendo, falando em surdina do que nos causa desconforto. Não duvido: Portugal é a nossa face, Portugal somos nós.
Está tudo de pantanas! O meu velho e fiel cão, já não abana a cauda quando me vê. O limoeiro do meu quintal, este inverno deu... laranjas. O sino da igreja da aldeia já não toca. A lenha que comprei para a minha lareira, arde, mas recusa-se a aquecer-me. O motor do meu carro silenciou-se.
Eu perdi cabelo e ganhei peso.
Este pobre blog torna a ter vida.
Bem-vindos! Está tudo de pantanas!
segunda-feira, maio 18, 2009
Caem Pétalas
Sorridentes
Generosas
Fraternas
Amigas
Perfumadas
Caem pétalas...
Hoje, caem pétalas!
De uma estrela
Brilhante
Fulgurante
Que sorri
Caem pétalas...
Pétalas de Margaridas
segunda-feira, maio 11, 2009
Veneno de Serpente e Doce de Abóbora
Há muito, muito tempo, quando os animais ainda falavam, vivia na selva uma serpente muito bonitinha, sempre muito arranjadinha, escamas em gel e tal, rastejava com tamanha graciosidade que todos os animais lhe davam atenção. A serpente que se chamava Dorazinha, era muito bem falante, dominava várias línguas, abarcava uma vasta cultura e falava sobre tudo, desde politica à gastronomia, passando pelo futebol e pela moda. Quase uma líder, portanto. E digo quase, porque, astuta como todas as serpentes, dava um certo ar de modéstia (falsa modéstia), simulando às vezes uma certa pobreza de intelecto, o que confundia os seus vizinhos da floresta. Dorazinha, tinha um apurado sentido de audição, ouvindo aqui e ali, sempre escondida por entre as folhas dissimulando a sua presença, escutava e gravava na sua mente as conversas perscrutadas. Só por si, este acto de ouvir escondendo dos outros a sua presença, é por demais censurável e moralmente condenável, mas, a Dorazinha não se ficava por aqui, pois utilizando o que antes ouvira, espalhava por entre os outros habitantes uma versão conveniente a provocar mal-estar, mexericos, conflitos entre amigos e conhecidos, zangas entre compadres e comadres (sim, porque no reino animal deste tempo, também havia compadres e comadres), na verdade, espalhava veneno em alvos bem específicos. Era, portanto, uma serpente venenosa. Mas nem por isso dava muito nas vistas, passeando a sua beleza, de sorriso feito para todos, lá seguia no seu mundo de fingimento sem levantar suspeitas.
Na selva há sempre um chefe, melhor dizendo: uma Rainha. Sim! Uma Rainha! Porque sou eu que estou a contar esta fábula e não gosto do Sporting, prefiro o Benfica (apesar de ser da Académica) e portanto, nesta floresta quem manda é uma Águia (em vez do tradicional leão). A águia de nome: Célia, impõe grande respeito e é admirada pelos demais animais. Nos seus altos voos, a sua visão apurada permite aferir do que se passa no seu reino, e claro está, à muito que topa a serpente Dorazinha e os seus esquemas a alimentar a ambição que lhe vai no âmago. Não será de admirar, a conversa que a Dorazinha teve com o lobo Jaquim, adversário número um de Célia;
- Lobo Jaquim, já viste como a Rainha está cada vez mais altiva? Até parece que lhe pertencemos, que não temos vontade própria. E tu tem cuidado – disse Dorazinha – olha que ela traz-te debaixo de olho, eu até ouvi dizer que ela pretende enviar-te para os confins da floresta, onde tudo é deserto (como no Alentejo…) e pouco há que fazer.
Jaquim, nada disse, mas ficou-lhe aquela a remoer-lhe a alma e a paciência. Embora adversário feroz de Dorazinha, sempre fora sincero e leal para com ela. Tinha que a enfrentar.
Assim, ao fim do dia, o Lobo Jaquim foi ao poiso da Rainha, pedindo uma audiência com urgência ao que Dorazinha anuiu.
Disse-lhe Jaquim, com voz firme: - Excelência, apesar de não concordar contigo no modo como governas o nosso reino, sempre te fui fiel e franco, mas, dizei-me: por quereis que abandone este lugar e vá viver para os confins da floresta?
- Que falais?! Embora tenhamos divergências, como já assumiste, sempre te respeitei profundamente, pois sempre foste sincero nos teus dizeres, conto contigo neste feito difícil Jaquim que é governar o nosso reino, nunca me passou pela cabeça enviar-te para qualquer outro lugar. Mas, contai, quem te disse tal blasfémia?
- Hum!... Perdoai Rainha Célia. Fui induzido em erro pelo veneno expelido pela serpente Dorazinha.
- Bem me queria parecer – disse a Rainha – há muito que a vigio, de hoje não passará o castigo que tenho para ela.
A Rainha Célia, foi ter com o mago da floresta e pediu que este produzisse uma droga, capaz de transformar o veneno de Dorazinha em doce de abóbora.
E assim foi feito, de ora em diante a serpente Dorazinha teria que se apresentar 2 vezes por semana na botica do reino, para tomar a droga e cuspir todo o veneno que possuía no corpo, já sobre a forma de doce de abóbora. Este doce seria distribuído por todos os animais da floresta. Uma outra forma de provar do “veneno” da serpente.
Hoje, os animais já não falam, mas anda tanto veneno no ar…
sexta-feira, maio 01, 2009
Um Ano. Tantas voltas, tanta mágoa.
Muito pouco tempo depois, foi a vez do meu bom primo João rumar para a minha estrela preferida.
Mais velho do que eu 10 anos, lembro-me com ternura de quando miúdo o ver trabalhar a madeira com grande destreza, fazendo pequenos "mochos" onde nos sentaríamos à lareira, perícia esta herdada de seu pai mestre de carpintaria e poeta ás escondidas. Um amigo, que na sua motorizada me levava a dar passeios por entre as estradas que serpenteiam a serra. Partiu, lutou tenazmente contra a doença que o venceu, mas deixou uma marca profunda no coração de todos quanto o conheceram.
Foi-me diagnosticada uma doença, que embora não mate (só aos bocadinhos) me irá acompanhar para o resto dos meus dias. Deixou-me amofinado!
Este desabafo tão pessoal, não deveria constar deste espaço, mas foram estes factos a somar a mais uns quantos de somenos importância que motivaram o meu desaparecimento da blogoesfera.
Não estava preparado, fui-me abaixo, levantei-me a custo e ainda cambaleio. Têm sido dias difíceis, devia esta explicação ao PopulusRomanus e principalmente a mim mesmo, é como falar em voz alta e deste modo colocar "pensos nas feridas", a escrita para mim sempre foi uma terapia, desta vez é uma terapia partilhada.
Vou tentar estar mais presente.
Obrigado pela vossa atenção.
ManuelNeves
quinta-feira, maio 15, 2008
Amiga Volta
Amiga Volta,
Quero ver-te de novo
Olhar-te nos olhos
Sorrir contigo
O teu sorriso fraterno
Amiga Volta,
Ensina-me a ser simples
Como tu,
Ser amigo
Lembrando a tua amizade
Amiga Volta,
Deixa a estrela
Perder o brilho
A lua e nós…
Andamos perdidos
Com tamanha saudade
A Minha Amiga não volta,
Vive numa estrela que sorri
Mas embora lá longe
Sei que nunca nos abandona
terça-feira, fevereiro 05, 2008
O meu cão é uma... "Tia" !

O meu cão anda estranho, um “pastor de alemão” que pertence há família há 10 anos, de há uma semana ou duas, anda bastante inquieto. Não pára sossegado, por vezes ladra sem parar, o que me dá cabo dos nervos, noutras ocasiões produz um latido que quase me deixa louco.
Deveras preocupado com esta atitude do cão, que assim nunca foi, sempre demonstrando grande carácter – aliás, como é típico desta raça – agora parece um cão “mimalho”. No inicio, pensei que tinha a ver com as politicas do Governo do Sr. Sócrates (de verdade! Pensei mesmo, o meu cão é muito sensível a injustiças), mas mesmo explicando-lhe que este Governo de socialista só tinha o nome – António Arnaut ou Manuel Alegre entre outros, podem atestar – que o PS agora quer dizer Partido Socrático, que o Sr. Ex-ministro da saúde só pretendia racionalizar as maternidades e os hospitais do País, não importando o número de bebés que nascem nas auto-estradas (como aquela situação do Sr. António que foi pai de um lindo bebé na Maternidade Km. 25 da A14), ou as pessoas que morrem a caminho dos hospitais, mas mesmo assim, o Ronnie não dava sinais de serenidade. Ainda lhe dei uns biscoitos especiais para cachorros com problemas de personalidade, produto caro e só à venda no estrangeiro (Espanha), mas não! Definitivamente, não!
Será que o canino teve conhecimento que a Luciana Abreu posou nua para a revista FHM (de facto baba-se muito), certamente o pobre coitado não distingue a menina Floribela da mulher Luciana, em bem lhe expliquei, mas nada!
A solução foi levá-lo ao veterinário do bicho, o Dr. Messias, pessoa calma, ponderado e conhecedor como ninguém de inquietudes em cães (e outros animais).
Mal o bicho viu o Dr. Messias logo começou a ladrar, assim de baixinho, com alguns latidos pelo meio. Percebeu-se que o reconhecido veterinário estava a perceber o que se passava. Também não admira, com a experiência do Dr. é natural que entendesse os receios do animal.
O Cão acalmou e o Dr. Messias, questionou-me:
- O seu cão vê televisão?
- Ele no canil tem um DVD e só lhe dou filmes educativos, tipo: “O Rambo e os cães raivosos”.
- Bom. O Ronnie ouviu uma notícia na TV que o deixou com a perturbação patente e embora tenha tentado comunicar consigo não teve sucesso o que provocou toda esta ansiedade.
- Ouviu na Tv?! Só se foi da varanda, em algum momento de liberdade. Mas, afinal que viu ou ouviu o Ronnie na TV?
- Pois é! Pois é! O seu cão é um vaidoso, desde que ouviu que abriu em Cascais uma boutique de roupa de alta-costura para cães, não pensa noutra coisa. Vai ter que deslocar-se a Cascais à dita loja.
Lá fui ver que roupinha seria. De facto, tecidos da melhor qualidade e as costuras executadas como se fossem para bebé. Casaquinhos forrados, com ou sem gola de pêlo, roupões de banho, fatos de cerimónia, gorros e coleiras com cristais, há de tudo! Não esquecendo perfumes, óleo para as patinhas e sabonete esfoliante, sempre com preços a condizer.
Afinal o que quer dizer a expressão: ”vida de cão?!...”
Bolas!... estou baralhado!
O meu cão é uma… “tia”.
domingo, janeiro 20, 2008
Os meus Chinelos Transexuais!...
O que agora são uns chinelos (foto) já foram umas fofinhas pantufas de pele e pêlo, tradicionais da Serra da Estrela. A minha comadre Dulce, ofereceu-mas para aí a uns 8 ou 9 anos. Suportar o meu peso de
- Que podemos fazer por elas, Sr. Dr.?
- Cirurgia! A única hipótese é cirurgia!
- Cirurgia?! Mas Sr. Dr., que vai operar?
- Pois! É delicado, mas para as pantufas sobreviverem temos que lhe trocar o sexo.
- Trocar o Sexo?! Umas pantufas transexuais?!
- Calma. Calma. A única possibilidade de perdurarem é transformá-las nuns chinelos e isso só se consegue com a mudança de sexo das pantufas.
Pensei e repensei, não sabia muito bem se os meus pés quereriam conviver com umas pantufas transexuais. Mas, seria uma desfeita à minha comadre Dulce, que com tanto carinho me ofereceu as ditas infelizes, sentenciar-lhe a morte tão precocemente. Vai daí resolvi avançar para a cirurgia. Nesta sociedade de consumo imediato (como já diziam os “Táxi”) poderia ter optado por comprar umas novas, colocando estas no caixote de lixo, no entanto, o meu lado ecológico apelou-me para a política dos três R:
Reduzir, Reutilizar e Reciclar, assim decidi pela reutilização e com a mudança de sexo, operado pelo Dr. Sapatilha as minhas velhas pantufas estão uns maravilhosos Chinelos.
Cada vez que chego a casa e os calço, confesso que fico assim como que com um andar
diferente! Um andar novo, digamos.
Mas damos-nos muito bem, quer dizer os chinelos e os meus pés. Com esta intervenção cirúrgica evitou-se um resíduo e transformaram-se umas lindas pantufas num bonito par de chinelos, talvez os primeiros chinelos transexuais do Mundo!!!
terça-feira, janeiro 01, 2008
Um Bom 2008 para Nós... e Todos
Fiquei defronte à mulher que mais Amo, mãe do meu filho. Contemplámos-nos demoradamente. Olhos nos olhos. Demos as mãos, em silêncio dissemos tanta coisa e coisa nenhuma. Os nossos corações falaram por nós e os nossos olhos sorriam, sorriam, sorriam...
Ouve-se o sino da aldeia. São as badaladas que anunciam que 2007 chegou ao fim... tlim-tlão, ouve-se a última, 2008 entrou sem cerimónias. Abraçámo-nos, num abraço forte e sem fim. Naquele abraço revemos o que foi este ciclo que agora se fecha e em sussurro proferimos os votos para o novo ciclo que agora começa. Saúde, muita saúde para nós e todos; trabalho que não falte; que o nosso filho atinja os objectivos traçados para o ano lectivo 2007/08, assim como os amigos e todos; sorrisos, sorrisos e mais sorrisos...
Não temos champanhe, nem passas, nem amigos connosco, mas temo-nos um ao outro nesta noite de balanço da vida que passa.
Ouço uma valsa lá longe, lá longe onde o tempo não espera e avança. Apetece-me dançar, mas... não conheço os passos da valsa... nem da valsa, nem do tango, ou do vira, ou fandango, não sei dançar, pronto! A música aproxima-se, aproxima-se cada vez mais, levanto-me num ímpeto, peguei-lhe na mão com leveza e arrastámo-nos pela sala ao som da bela valsa - sei dançar! Gritei.
E bailámos até o cansaço nos derrotar.
Um Bom 2008... para todos!

