sexta-feira, maio 01, 2009

Um Ano. Tantas voltas, tanta mágoa.

Um Ano! Poucos dias para perfazer um ano em que não alimentava este humilde e singelo espaço. Neste tempo, neste curto tempo de 350 dias, tanta coisa acontece... eu, à minha parte estou mais velho e mais pobre. Perdi pessoas importantes no meu trajecto como pessoa . Primeiro a minha boa sogra, em Junho partiu para habitar uma estrela já minha conhecida onde habitam outras pessoas que amo. Encontrámo-nos pela primeira vez acerca de 26 anos, sempre me tratou como se seu filho fosse, paciente, sempre pronta a ajudar mesmo com prejuízo próprio, apaziguadora, nos outros só encontrava virtudes mesmo que sinais contrários fossem mais que evidentes. Acolhedora, sempre com um café pronto para quem a visitava. Deixou muitas saudades e marcas nos que a conheciam e amavam. Penso que lho disse antes, também o direi agora: gosto muito de si, D. Silvina. Sinto a sua falta.


Muito pouco tempo depois, foi a vez do meu bom primo João rumar para a minha estrela preferida.

Mais velho do que eu 10 anos, lembro-me com ternura de quando miúdo o ver trabalhar a madeira com grande destreza, fazendo pequenos "mochos" onde nos sentaríamos à lareira, perícia esta herdada de seu pai mestre de carpintaria e poeta ás escondidas. Um amigo, que na sua motorizada me levava a dar passeios por entre as estradas que serpenteiam a serra. Partiu, lutou tenazmente contra a doença que o venceu, mas deixou uma marca profunda no coração de todos quanto o conheceram.

Foi-me diagnosticada uma doença, que embora não mate (só aos bocadinhos) me irá acompanhar para o resto dos meus dias. Deixou-me amofinado!

Este desabafo tão pessoal, não deveria constar deste espaço, mas foram estes factos a somar a mais uns quantos de somenos importância que motivaram o meu desaparecimento da blogoesfera.
Não estava preparado, fui-me abaixo, levantei-me a custo e ainda cambaleio. Têm sido dias difíceis, devia esta explicação ao PopulusRomanus e principalmente a mim mesmo, é como falar em voz alta e deste modo colocar "pensos nas feridas", a escrita para mim sempre foi uma terapia, desta vez é uma terapia partilhada.

Vou tentar estar mais presente.

Obrigado pela vossa atenção.

ManuelNeves

6 comentários:

as-nunes disse...

Caro amigo Manuel Neves

Li as suas reflexões sobre circunstâncias da vida que o afectaram, pelos vistos seriamente, no deocrrer do último ano. Só cada um de nós, sozinho no seu juizo, é que sabe como julgar essas situações.
Mas sou sa sua opinião. Não temos que nos acanhar de partilhar alguns aspectos da nossa vida pessoal. Ao fim e ao cabo, todos nós, constituímos uma comunidade que só sobrevive porque somos dependentes uns dos outros. É natural sentirmos esta necessidade genética de nos relacionarmos com os nossos semelhantes, física, psíquica e até metafísicamente.
Muito folgo em saber que se sente com disposição para voltar ao convívio, mais ou menos regular, logo se verá, depende das nossas vidas, de quem quer que leia as palavras que aqui vai deixando e que nos vão transmitindo o que lhe vai ocorrendo. Também partilho essa ideia. Escrever ajuda-nos a viver. Muitas vezes proporciona-nos excelentes momentos de convívio e de troca de experiências.
Uma boa terapia como o meu amigo muito bem diz.
Receba um grande abraço.
António Nunes

luís antero disse...

caro Manuel,
é com enorme satisfação que o saúdo, assim como ao seu regresso à blogosfera, de maneira tão directa e pessoal, como é, aliás, seu apanágio de sempre...
a escrita é uma terapia, de facto, e partilhando-a com quem, afinal, vive ou possa viver os mesmos problemas pode tornar-se um alivio tremendo, porque nos dando, alguém nos recebe, na compreensão e no saber partilhado...
bom regresso e 1 abraço fraterno,

LA

Viviana disse...

Olá Manuel

Agradeço a sua visita ao meu cantinho e as palavras amáveis que ali deixou.

Obrigada pois.

Vim tambem "espreitar" o seu blogue, o qual gostei de conhecer.

Quanto ao conteúdo do seu post, que li com muita atenção, quero dizer-lhe que lamento as situações difíceis porque passou no último ano.

Sei o quanto é difícil e doloroso separarmo-nos assim, daqueles que tanto amamos.

A minha querida mãe partiu para o cèu, há seis anos, mas só há pouco tempo é que eu consegui ultrapassar toda essa dor.
Quase todos os dias chorava com saudades; agora, lembrá-la, é uma doce recordação.

Creio que fez muito bem em partilhar conosco estas suas tristezas.
Ao fim e ao cabo, quem de nós não está sujeito a elas!?

Somos todos vulneráveis.

Bom, já vai longo o comentário.

Desejo-lhe uma boa noite de repouso e deixo o meu abraço

viviana

Tozé Franco disse...

Caro amigo MAnuel.
É com grande alegraia que registo o seu regresso a estas lides.
Lamento que a ausência se tenha devido aos factos relatados, mas é bom estar de volta. A vida continua e há que aproveitá-la. Longe vai o tempo em que achava alguma lógica em deixafr coisas para o dia/semana/m~es ou ano seguintes. O que não se fez, não pode ser reposto.
Um a braço e espero que nos continuemos a encontar por aqui e por aí.

ramos vilaça disse...

Bom amigo:
Deixo-lhe uma palavra de conforto e saúdo a sua vinda ao universo dos amantes da palavra escrita.Fico grato pela sua visita e espero que tudo lhe corra pelo melhor.
Cordialmente, Ramos Vilaça

Flor disse...

Bom retorno.
Escrever faz "por pra fora" nossos sentimentos, e tambem ao compartilhar em um espaço como este nos faz entrar emm contato com pessoas que nos querem bem e rezam, torcem ou nos darao força de alguma forma.
Abraços.